Mercs, Memórias e RPG: Por que esse projeto existe



Eu tenho uma crença pessoal de que todas as coisas seguem ciclos.

Como uma espiral, a gente dá voltas — às vezes longas, às vezes curtas — e, quando percebe, está de novo em um ponto familiar… mas nunca exatamente o mesmo.
As coisas parecem se repetir, mas sempre carregam pequenas mudanças, quase imperceptíveis. E de vez em quando, algo acontece que muda a direção dessa espiral — um evento que faz parecer que tudo vai ser diferente… até que um novo ciclo começa.

Essa postagem nasce exatamente de um desses momentos.

Como tudo começou


Nada disso aqui é realmente original.
Mas tem um valor pessoal gigantesco.

Eu comecei a jogar RPG com 3D&T, junto com meu irmão e alguns amigos. A gente não sabia direito o que estava fazendo — e talvez esse tenha sido o melhor período de todos.

Usamos o manual de um jogo de PC, Hexen II, pra adaptar personagens, inimigos e itens.
As estatísticas eram anotadas direto em fotocópias, embaixo das descrições originais. Sem método. Sem regra. Só vontade.

Hoje eu olho pra isso e percebo:
a gente já estava criando… sem saber que estava criando.

Escolher 3D&T pra esse projeto é, antes de qualquer coisa, uma homenagem a esse começo.

Dragão Brasil e os Merc$


Além do sistema, teve outra influência enorme: a revista Dragão Brasil.

Ela tinha problemas, claro. Muita gente criticava — e com razão, em vários pontos.
Mas é impossível negar o impacto que ela teve. Para muita gente, foi a porta de entrada pro RPG.

Pra nós também.

E teve uma edição em especial — a #103 — que marcou.
Ela trazia um grupo de aventureiros de Tormenta com uma moral… questionável.
Eles se chamavam Merc$.

Esse nome ficou.

Escolher “Mercs” pra esse projeto é uma homenagem direta a esse momento — a essa fase em que tudo era descoberta.

A ficção pulp


Na infância, eu assistia desenhos que tinham um estilo que eu não sabia explicar — mas que me fascinavam.

Space Ghost, Herculóides, Defensores da Terra, Superamigos, SilverHawks…

Tinha alguma coisa ali. Um tipo de aventura, de estética, de exagero… que ficou comigo.

Com o tempo, esses desenhos sumiram. Ou talvez eu tenha parado de procurá-los.

Até que, anos depois, eu encontrei o termo “ficção pulp” — e foi como reconhecer algo que sempre esteve lá.

Depois veio o RPG Space Dragon, e aquela sensação voltou com tudo.
Mesmo sem me adaptar totalmente ao sistema, a ideia ficou.

Escolher essa temática é resgatar exatamente isso:
um tipo de aventura que eu nunca deixei de gostar.

Criar, não só consumir


Eu sempre gostei de fichas personalizadas.

Mas mais do que isso: sempre acreditei que blogs de RPG deveriam criar conteúdo de jogo — não só falar sobre ele.

Durante muito tempo, um dos meus favoritos foi o Vila do RPG.
Principalmente pelos trabalhos gráficos do Alan Emmanuel e pelas aventuras do Sérgio Magalhães.

Teve uma postagem específica que nunca esqueci: uma aventura de Space Dragon onde os personagens tinham nomes de bebidas.

Simples. Diferente. Memorável.

Esse detalhe ficou comigo.

E agora volta aqui — como mais uma homenagem.

O ciclo


Lá no começo eu falei sobre ciclos.

Na minha família, contando primos mais próximos, basicamente só eu e meu irmão seguimos com o RPG. E, por muito tempo, eu achei que isso ia acabar na nossa geração.

Mesmo tendo um filho, mesmo ele tendo uma filha… sempre parecia faltar algo.
Faltavam pessoas. Faltava grupo. Faltava continuidade e, então, alguns anos atrás veio o segundo filho do meu irmão.

Agora existe uma possibilidade real de que o RPG continue.
De que esse ciclo não termine aqui.

O que realmente importa


No fim das contas, essa é a homenagem mais importante.

Não é ao sistema.
Não é às revistas.
Nem aos desenhos.

É a eles.

Que a gente consiga ensinar mais do que regras.
Que eles aprendam a viver em sociedade — sem virar só mais uma engrenagem.
E que, no meio disso tudo, levem com eles um pouco dessas “velharias” que fizeram a gente tão feliz.

E, quem sabe… o RPG também.

Então, o que é Mercs?


Mercs é um grupo de personagens prontos para 3D&T, criado para uma campanha de ficção espacial pulp.

A proposta é simples:
Aventuras rápidas e fechadas
Ameaças claras
Vilões marcantes
E, aos poucos, uma história maior se revelando

Com episódios focados, inclusive, no passado de cada personagem.

Esse material usa como base o Manual 3D&T Alpha e o Manual de Vantagens e Desvantagens Alpha.

E isso é só o começo


Esse projeto nasce de tudo isso.

Memória. Referência. Vontade de criar.
E, principalmente, de continuar.

No próximo post, eu vou mostrar exatamente o que vem por aí — e como você pode usar esse material na sua mesa.

E se quiser acompanhar mais de perto, ver os bastidores ou ajudar a moldar esse projeto:

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Bons jogos.


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